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            Retumbante como um brado, Arnolfo se posiciona ao centro do palco: “Senhoras e senhores! Olha aí, oh gente, é todo mundo querendo demais e ninguém querendo de menos!”. Assim começa um dos mais divertidos, irreverentes, e muitíssimo bem trabalhados espetáculos da história do Grupo Tupam. E é tudo novo; de novo. Antigo mesmo somente o ato de conquistar, uma epopeia para um dos mais criativos grupos artísticos de Patos de Minas que há mais de 10 anos eleva a graus que transcendem até mesmo a sua disposição, o amor ao teatro.

E querer demais, não é um problema. O Grupo Tupam, subsidiado pelo Núcleo de Arte e Cultura do Centro Universitário de Patos de Minas, desde os primórdios do seu trabalho objetivou manter a resistência e a vivacidade de uma arte que nem sempre é levada a sério como deveria – seja por quem é espectador, seja, vez ou outra, por quem integra o time de artistas. E querer que a própria arte resista nessas condições é primordial.

O que nos convence dessa sua resistência são as conquistas, as novas ideias, os projetos passados, as tentativas, tropeços e um conjunto belo(!) de se ver pessoalmente de prêmios, troféus, moções de aplausos, títulos, honrarias e o principal: as emoções de quem vê de perto o Tupam acontecer.

Mais recentemente, após a sua nova formação de atores e atrizes, as já citadas intenções permaneceram, e os resultados como de costume vieram. Arnolfo (personagem anteriormente citado) é um dos protagonistas do maior e mais recente trabalho do nova formação do grupo, o espetáculo Escola de Mulheres que foi adaptado do original em francês, L’école des Femmes, do dramaturgo Molière – um dos mestres da comédia satírica do século XVII. A produção faz um misto entre o clássico, a comédia e o regionalismo mineiro – vê se pode?

Pode sim. Tanto pode que desde seu lançamento, foram dezenas de apresentações em instituições de ensino, organizações, mostras, festivais e eventos. Um aprendizado e tanto para uma formação de atores ainda nova. Para o projeto foram repensados cenário, figurinos, canções, maquiagem, iluminação e variação de linguagem – algo que culminou em muitas casas lotadas e no gratificante prêmio de Melhor Espetáculo no Festival Nacional de Teatro de Paracatu (Festepa)– isso após terem se apresentado em Teófilo Otoni, Araxá e Uberlândia; este último na II Mostra de Teatro daquela cidade e Região.

Somam-se a isso, os projetos paralelos como animações, apresentações especiais em escolas, convites informais e oficiais, projetos sociais, a abertura do grande show do Padre Reginaldo Manzotti e a firme participação no Balaio de Arte e Cultura. Ufa, Consuelo Nepomuceno, haja fôlego! Brincadeiras à parte, é ótimo perceber todo o empenho e reconhecimento que o Grupo Tupam comporta. Aplausos de pé a todos os envolvidos e principalmente a diretora. Afinal, democratizar a cultura e valorizar a diversidade humana não é tarefa fácil.

Quando questionei em um debate no Festepa sobre o que nos viabilizava enquanto atores, isto é, porque fazemos o que fazemos, fui respondido com palavras que traduziam a seriedade e o respeito que os debatedores têm pelo teatro. Eles, em seguida, devolveram a pergunta a mim. Sem mais delongas, eu disse que no ato da discussão, a minha opinião já havia sido expressa. Hoje, com mais precisão, talvez eu responda o que de fato eu acredito: o teatro possui uma função social. É uma ferramenta transformadora. E por ele e através dele, a construção da realidade também é possível. Celebrando de maneira justa: viva o Grupo Tupam!


Por: Mikael Melo, jornalista e integrante do Grupo Tupam